29/07/2013

To be or not to be...


























Penso que, há já uns tempos, publiquei este "pensamento". Tramado. Diz uma amiga "a ternura dos 40 é que nos trama"...qual ternura?! Não há ternura aos 40, pelo menos, na memória que os dias nos grava nas mãos, nas rugas, nas dobras do pensamento, nas frases já ouvidas, no discernimento que por mais que queiramos, é sempre frio e analítico. "Fala por ti", dizem-me. Pois. O que nos trama não é a ternura, é a fotografia que imaginamos. O retrato dos dias que não chegaram a ser, das esperanças que ficaram pelo caminho, dos sonhos que não sobreviveram à vida. O que nos trama é o facto de a memória (essa traidora) nos desenhar bonitas fotografias a cores que parecem saídas de um anúncio da Planta. Fotografias risonhas de uma verdade que não foi (...mas podia ter sido), fotografias do que teríamos sido se o fado não se tivesse cumprido. O que nos trama não é a ternura (que se guarda apenas para os mais velhos ou para os mais pequenos), o que realmente nos trama e corrói é a noção, aos 40, da nossa falibilidade.

2 comentários:

Anónimo disse...

embora nos acompanhe desde sempre, é aos 40 q "a fotografia q imaginamos" se reveste de contornos mais avassaladores. é o tempo do quem sabe o q não foi ainda possa vir a ser?

pese embora a utilização irónica da expressão, não acredito q não acredites na "ternura", a dos 40...

3Picuinhas disse...

Acredito na ternura. Não acredito na dos 40, sorry..o que não foi, na verdade, não pode vir a ser.