02/08/2013

À distância



















Lá longe, vou recolher-me ao ar da serra, à brazia do meio-da-tarde, sob a figueira velha decorada a frutos negros.
Lá longe, para a terra onde o antes ainda é, e em cada esquina renasce um pedacinho que pensava perdido.
Lá, longe, onde rondam os grandes abutres e pardais minúsculos, e o cimo da serra, decorado com a capela, parece um bolo de noiva sem cobertura.
Lá, distante, na minha terra de gentios e marranos, de ruas estreitas feitas de pedra e histórias, de escadas frescas e fontes, onde o castelo se estende até à casa e ao longe se ouve o rumor dos rebanhos e o ladrar dos cães.
Lá, distante, rente à fronteira, onde me vivem irmãos e sobrinhos, e primos afastados e tios velhos e amigos de um tempo de antes, onde se fincam as raízes e as memórias.
Lá, longe, volto a ser "a da cidade", deslumbrada pela planície e pelo granito, pelas oliveiras retorcidas e montes sozinhos, pelas estradas vazias e pela cegonha que regressa ao ninho.
Lá, longe, distante, junto à raia, regresso a mim.

1 comentário:

S* disse...

É sempre bom regressar aos locais com os quais nos identificamos.